Com menos de dois meses de vida, Laura Hartmann Sartori havia feito três cirurgias, passado por acompanhamento intensivo e assustado a mãe Janice Salete Hartmann, de 33 anos, ambas moradoras do município São José do Cedro. Com quatro dias, Laura foi levada ao Posto de Saúde para fazer o teste do pezinho, onde foi confirmado o diagnóstico de fibrose cística. Cinco dias depois de seu nascimento, Laura fazia sua primeira cirurgia no Hospital da Criança, em Chapecó, onde ficou 50 dias.
Janice tinha tido um parto normal, de 39 semanas, e nos primeiros dias de vida de seu bebê, percebeu que ela ainda não havia evacuado. Aproximadamente 10% dos recém-nascidos com fibrose cística apresentam íleo meconial, o que causa vômitos, inchaço (distensão) do abdômen e ausência de evacuação. O íleo meconial é um bloqueio do intestino delgado no recém-nascido provocado por conteúdo intestinal excessivamente espesso que costuma ser causado por fibrose cística.
“Se eu não tivesse feito o teste do pezinho, que apontou a fibrose cística, e que foi confirmado pelo teste do suor, a Laurinha hoje estaria numa outra situação, com outra qualidade de vida. A fibrose cística não é uma doença fácil”, afirmou Janice Hartmann. Atualmente, a Laura faz acompanhamento a cada três meses no Hospital Infantil Joana de Gusmão, na Capital, e fará seus quatro anos daqui a dois meses.
É assim que um teste simples e gratuito, que pode ser feito num Posto de Saúde entre os primeiros dias de vida, impacta na qualidade de milhares de vidas. O chamado teste do pezinho é um exame feito por meio da coleta de gotas de sangue dos pés de recém-nascidos e ajuda a prevenir doenças como a fenilcetonúria, o hipotireoidismo congênito, síndromes falciformes, hiperplasia adrenal congênita, deficiência de biotinidase e, claro, a fibrose cística. Essas doenças não costumam apresentar sintomas no nascimento e, se não forem diagnosticada prematuramente, podem causar sérios danos à saúde. A data ideal para a coleta é entre o terceiro e o quinto dia de vida do recém-nascido.
Importância do Teste do Pezinho
Nesta segunda-feira, dia 6 de junho, comemora-se o dia nacional do teste do pezinho. Na Secretaria da Saúde, o Diretoria de Atenção Primária à Saúde (DAPS) tem evidenciado a importância do Programa de Triagem Neonatal (PTN) e dos profissionais que realizam a coleta do teste nos postos de saúde em Santa Catarina.
Juliana Belke é técnica de enfermagem e tem 37 anos. Ela atua há 12 anos no município de Palhoça e é apaixonada pelo seu trabalho – o cuidado, em especial pelas crianças. “Durante toda minha trajetória já realizei muitos testes do pezinho. É muito satisfatório prestar cuidados à mãe no pré-natal durante toda a gestação e depois dar continuidade, dando assistência ao bebê já na primeira visita à unidade, através do teste do pezinho”, ressaltou Juliana. As doenças podem impactar o desenvolvimento dos bebês no período mais vulnerável, que são os primeiros meses de vida. “O teste é uma triagem neonatal e é fundamental para o diagnóstico precoce de várias doenças genéticas e infecciosas. É imprescindível que seja feito da forma correta e por um profissional capacitado”, concluiu a técnica.
Só em 2021, realizou-se cerca de 56 mil testes do pezinho nos serviços públicos de saúde. O exame é oferecido em mais de 1.200 Unidades de Saúde, nos 295 municípios, e é de extrema importância. O teste é rápido, fácil e seguro. O resultado pode ser acessado pelas mães e pais, num período de até 90 dias.
SECRETARIA DE ESTADO DA SAÚDE

Foto: SES